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ARTIGO Lições do projeto O Profissional do Futuro
01/10/2022
MARATONA DA ESCOLA DO FUTURO
Lições de cidadania e de qualificação de escola, na visão de seus alunos.

 
Rita Maria Silvia Carnevale, Me 
Diretora de Projetos Sociais e Educacionais do ITD
 
O fim relativo da pandemia acelerou manifestações relativas à necessidade de se investir em Educação em todos os níveis, em especial em nível da Educação Básica.

Manifestações fundamentadas indicam que a educação deve ser prioridade, que os resultados dos atuais processos educacionais estão bem aquém do desejado. Novas propostas atualizadas de Diretrizes Curriculares e do retorno da Educação Profissional no Ensino Médio, têm levado a maioria dos órgãos próprios dos sistemas públicos a encaminhar instruções e realizar reuniões de esclarecimento para os docentes e as famílias, não envolvendo outros profissionais responsáveis pela construção e manutenção das escolas e de infraestruturas que viabilizassem mudanças reais na dinâmica escolar e na construção de novos saberes mais humanos.

Tudo dito, ouvido, escrito e lido têm nos levado a perceber que não bastam dados estatísticos, nem fundamentações conceituais, nem medidas paliativas de difusão e, muito menos, apontar dedos em busca de responsáveis. O que é urgente é focar o olhar na natureza das mudanças estruturais, que ao longo dos anos vem ocorrendo nos mercados, na evolução da ciência e da tecnologia, nas inovações que têm balançado os status quo de muitos ambientes.

Paralelamente, entretanto, a formação dos antigos profissionais continua sem as devidas atualizações, inclusive de reconversão profissional e as atuais formações de profissionais e os correspondentes processos decisórios continuam tão aquém, e cada vez mais, do desejado em agilidade, pertinência e sustentabilidade econômica.

Olhando para a maioria das instituições de ensino, percebemos que pararam no tempo, com suas estruturas físicas e seus processos educacionais, com honrosas e múltiplas exceções. Por isso, acreditamos que novas perguntas merecem ser formuladas e respostas, sem maquiagem, precisam ser buscadas, explicitadas e transformadas em ações executáveis, com o devido acompanhamento, avaliação e aprimoradas sistematicamente.

Cremos necessário olhar, livres de preconceitos, alguns motivos reais das atuais evasões escolares; do discutível processo de ensinagem adotado em muitas escolas, com resultados pífios, para muitos; da frágil interação docentes e discentes; da não inclusão nas escolas, de muitíssimas crianças e jovens portadores de deficiências; da depredação das dependências das escolas; da ausência dos devidos equipamentos, mobiliários que atendam a todos. A aridez e pobreza dos espaços de recreação não viabilizam novas aprendizagens, nem o estabelecimento de parceria nas brincadeiras, nem uma convivência construtiva nos momentos de lazer necessários para o bem ao corpo e ao espírito.

Na oportunidade da pandemia, boa parte de pais perceberam que não sabiam lidar com seus filhos, diante dos desafios escolares que eles vivenciavam. Ficaram divididos entre suas expectativas com a escola e as expectativas de seus filhos.

Vários, deram-se conta das causas das justificativas de seus filhos de não ir às aulas ou não quererem ou não poderem ir à escola, diante de tantas limitações de toda ordem. Inúmeros pais, à semelhança dos docentes, deram-se conta que não estão preparados e não dominam a educação digital, na maioria das vezes da forma como é imposta, sem segurança de continuidade, nem de expansão que atinja a todos, todo tempo.

Julgamos, pois, salve melhor juízo, que foram esquecidos alguns princípios e valores de tempos não tão antigos, mas fundamentais para uma cidadania humana, justa, inclusiva e extensiva a todos, sem exceção. 

A Maratona da Escola do Futuro é uma das alternativas educacionais que pode viabilizar o alcance dos propósitos desejados por muitos. Integra o projeto "O Profissional do Futuro", da Instituto de Transformação Digital (ITD) que tem como objetivo proporcionar aos jovens, alunos de escolas predominantemente públicas, o desenvolvimento de Habilidades Empreendedoras, para atuarem nos novos modelos de negócios, impostos por um mundo em constante transformação e Competências exigidas para o Profissional do Futuro, a fim de tornar-se apto a suprir a grande carência do mercado de trabalho, apto a usufruir as oportunidades de lazer, de conivência, de educação continuada e de cultura, entre outras, da atualidade e do futuro.

Portanto, os resultados esperados pela Maratona são os de desencadear nos alunos de escolas públicas  e privadas de educação fundamental - séries finais e, principalmente, as de ensino médio, processos de construção e consolidação de competências e habilidades necessárias para promoverem o Empreendedorismo Inovador; qualificá-los para as novas profissões e atividades do futuro; potencializar o capital humano nas comunidades do entorno das escolas; desenvolver novas competências produtivas e gerar emprego e renda.

[1] As que, na nossa humilde percepção, precisam ser valorizadas, apoiadas em suas demandas e dar ouvidos às expectativas de saberes de seus alunos, bem como preparo qualificado dos integrantes do corpo docente, em cursos de Extensão, junto às IES, ou seja, um voltar às aulas outras, que não as recebidas na época de sua formação.

A proposta surgiu a partir de exposição de sonhos dos integrantes do Instituto, de suas caminhadas e experiências vivenciadas, de inúmeras trocas de ideias, de estudos, de conhecimento do que se faz mundo afora. Tudo isso foi resumido em proposições julgadas pertinentes, que foram se ajustando ao longo de permanentes reflexões e construindo um mosaico diferenciado. O protótipo foi testado junto a uma Escola Municipal de Canoas, com resultado surpreendente.

No final de 2019, o ITD apresentou uma proposta ampliada e ajustada de atendimento a jovens do Ensino Médio, junto à Secretaria de Trabalho, Emprego e Renda do Rio Grande do Sul. Diante da pandemia a tramitação parou. Entretanto, ao retorno da nova “normalidade”, estão sendo marcados novos encontros para retomada, o que estimulou realizar nova experiência ampliada.

Até o momento, foi pintado um pano de fundo que, cremos, permita  vos convidar a refletir sobre o resultado de uma experiência, que, para os que a conceberam, testaram, aplicaram e para os que a vivenciaram no mês de setembro de 2022, (de 2 a 23), num sistema hibrido, reforça a crença, aumenta o comprometimento e o desejo de estender esta atividade educativa a um número maior de jovens e dar oportunidades aos mesmos de resgatar o seu Eu, em benefício de todos, envolver a comunidade limítrofe à Escola e estreitar a relação de novas parcerias, público-privado.

Com o aval da Secretaria Municipal de Educação, da Direção do Programa do Futuro e a Direção do Pão dos Pobres, em quatro sextas-feiras, do mês de setembro, o Instituto de Transformação Digital (ITD) realizou a Maratona da Escola do Futuro, no Instituto Caldeira, em espaço gentilmente cedido pela Atitus Educação, com encontros presenciais e on-line ao longo da semana, valendo-se da disponibilidade e empenho dos mentores, especialistas do Instituto: Eduardo Gross, Érica Grellert, Giovani Machado, Paulo Kendzerski (coordenador do grupo) e eu.

A Maratona em questão foi uma atividade na qual alunos voluntários de duas Escolas Municipais, de uma aceleradora de Jovens Talentos  e três turmas de alunos do Ensino Médio, frequentando o curso de Hidráulica e Refrigeração, junto ao Pão dos Pobres, fizeram uma imersão, para pensar sua escola como um ambiente coletivo, identificar e mapear os problemas e necessidades da mesma ou da comunidade próxima, bem como propor soluções, no formato de pré-projetos, que seriam aprimorados e aplicados em um segundo momento.

[2] Entidade vinculada à IES: Atitus Educação, que oferece experiências técnicas e comportamentais para gerar ciclos sustentáveis de inovação e transformação social.

A orientação inicial dada, após recepção dos jovens e seus professores, no primeiro encontro, consistiu-se em descrever o desafio e, valendo-se da ferramenta Canvas, ferramenta de gestão de projetos, efetuar a ideação, prototipagem, defender a minuta inicial do projeto por meio de um pitch, procedimento de apresentação da proposta do coletivo, para uma Banca Examinadora, defendendo a pertinência, sustentabilidade e viabilidade física e econômica do construído, com justificativa, dados e fatos coletados. Aos professores foram feitas recomendações que deixassem seus alunos atuarem com autonomia, para aprenderem a ser atores do processo de construção e não integrantes passivos. Os próprios docentes se deram conta o quanto seus alunos sabiam e que, como docentes não tinham se dado conta do todo o potencial existente naqueles seus alunos.

Na oportunidade foi enfaticamente demonstrada nossa crença, integrantes do ITD que eles, no prazo estipulado, sem ajuda de seus professores, apenas dos mentores, seriam capazes de levar a bom termo o desafio. Foi a eles delegada a tomada de decisão inicial da organização do grupo, com distribuição de tarefas necessárias para a construção da proposta, como da defesa dela.

Foi expressa a confiança que, como pequeno coletivo, teriam na ponta da língua as necessidades da Escola ou da Comunidade, seriam conscienciosos na seleção da(s) mais expressiva(s) construiriam o processo de solução conferindo benefício, viabilidade e pertinência. Foi a eles expressa a nossa crença que seriam capazes de vencer, com qualidade, o desafio, principalmente, valendo-se desta autonomia a eles delegadas. Justificou-se que nossas convicções estavam fundamentas nos resultados comprovados que, na medida que o sujeito descobre suas potencialidades inatas e as aprimora pela caminhada desde o nascimento, a capacidade de superar-se, certamente, se concretizar-se-ia. O que foi comprovado.

Á medida que os trabalhos estavam sendo elaborados, os jovens recebiam reconhecimento e estímulo para avançar. A cada impasse, eram-lhes feitas perguntas, que os ajudaram a retomar a caminhada, ajustando os desvios indevidos (justificáveis, pois muitos deles jamais tinham participado de desafios desta ordem).

Na saída dos encontros presenciais a planilha do Canvas era fotografada por eles darem continuidade na construção durante a semana e a física recolhida pelos mentores para se organizarem para os encontros on-line. No retorno, pode-se identificar avanços significativos e surpreendentes, realizados no período não presencial.

Entre muitas, três evidências nos mostraram que as premissas da Maratona estavam sendo confirmadas. Uma, referindo-se à sala já estar ocupada, por quase todos os integrantes dos grupos (todos eles tinham dificuldade de transporte), muito antes das 14h, horário de início formal do encontro.

Nesta oportunidade eles se dedicaram na organização das produções individuais, previamente coletadas, para não perder o tempo do contato físico, entre eles e eles com os Mentores. Outra, ao serem questionados como tinha sido o fim de semana anterior, com expressões de satisfação dizerem que o tempo tinha sido dedicado à tarefa e descoberto, pelas pesquisas, informações e dados que desconheciam e que foram muito úteis. Alguns, apresentaram resultado de pesquisa quantitativa de opinião realizadas junto a professores e colegas da Escola.

A última evidência foi verificar o tempo destinado ao lanche, com oferta por eles sugeridas, simples e saudável. A socialização natural realizada ocorreu entre eles e conosco, aproveitando a oportunidade. Os lanches eram consumidos com prazer, num tempo mínimo, para retornar ao trabalho. Auxiliaram com espontaneidade no recolhimento dos resíduos e destino adequado na sala, em sua reorganização, para logo retomarem às suas produções.

Os questionamentos não eram de como fazer, mas sim de quais as fontes que eles poderiam consultar, se as fontes consultadas eram fidedignas, considerando a inexperiência com atividades da natureza proposta, ou se a interpretação das pesquisas feitas estaria seguindo os tramites técnicos.

O foco de três projetos referiu-se a dificuldades de acesso de cadeirantes a salas de aula especiais, aos laboratórios ou à área de recreação, por não estarem no térreo e sim em pisos cujo acesso só era permitido por escada ou, em outro caso, adequar uma rampa construída às pressas sem considerar a viabilidade de ser usada por cadeirante, considerando seu ângulo de inclinação e piso escorregadio. Igualmente, outros abordaram o desconforto ao acesso à Escola pois carros de alguns integrantes da própria Escola estacionavam quase em cima do acesso, não deixando espaço para o cadeirante poder superar aquela distância, ou os passeios serem todos desformes, causando desconforto físico ou riscos de cadeira trancar e provocar acidente ao cadeirante.

Mas o exemplo mais pungente trazido foi o de uma mãe que diariamente vai à escola com sua filha cadeirante, criança de uma série da educação infantil. É auxiliada por alunos para carregar a cadeira de rodas por uma extensa escada, enquanto a mãe leva no colo a filha até entrara na sala. Fica com ela a manhã toda, movimentando-a no colo ou colocando-a no chão, junto aos colegas para participar das atividades de roda ou outras atividades escolares.

Criança que deve permanecer as quatro horas do turno, com as mesmas fraldas, por não existir um banheiro com um trocador adequado.

O questionamento que o grupo fez, referia-se à oportunidade desta criança ter possibilidade de frequentar a Escola nas séries subsequentes, sendo levada no colo pela mãe. Perguntara-se quantas outras crianças nas suas condições, estariam sendo privadas de escolaridade regular obrigatória pela Constituição Federal, junto àquela escola. Escola esta que tem o compromisso de atender as crianças moradoras da comunidade. Crianças privadas de escolaridade ou por não terem uma mãe com a disposição física e de tempo, para passar a manhã toda com elas.

Por outro lado, a criança em questão no recreio não podia socializar-se plenamente com seus colegas, ficando apenas, em sua cadeira, observando-os ou conversando com os que vinham ao seu encontro, pois o espaço destinado ao recreio não possui mobiliários adequados para cadeirantes (Trouxeram a lista de mobiliário e onde se encontrava). Igualmente, pensaram nas atuais classes usadas nas salas que não permitem aproximação adequada da cadeira de rodas às mesmas, existindo já no mercado mobiliário desejado. Pensaram quantas outras escolas como a sua, estariam apresentando mesmos desafios aos cadeirantes. A proposta encaminhada objetivava também, com os adequados ajustes, ser estendida a elas.

Igualmente, as justificativas apresentadas indicaram que os portadores de deficiências estão gradativamente saindo de onde estavam reclusos, por muitos fatores. Desejam sentir-se pertencentes, querem circular, valendo-se de transporte coletivo, frequentarem a escola, viverem em companhia. Entretanto, as estruturas físicas, ou o mobiliário, ou a formação de professores das escolas, ainda não dominam a língua dos sinais, nem o código de Braille. Os que existem são em número insuficientes para o atendimento das demandas. E o tempo passa... não são matriculados alunos, por não existirem condições para seu atendimento ... e a exclusão persiste.

Para os jovens que identificaram as tristes lacunas, o foco era não resolverem seus problemas, mas ter um espaço mais acolhedor, mais inclusivo, mais saudável, mais promissor para os que não tinham suas mesmas condições - ver, falar, ouvir, movimentar-se livremente.

Os próprios jovens deram-se conta que aprender a respeitar e cuidar de tudo que se encontra na escola é um princípio a ser retomado, com novas estratégias educacionais que não se resumam apenas em elogio ou castigo, mas em aprendizagens que reconheçam e respeitem que tudo o que está na escola é patrimônio público, ou seja de todos, pois foi concretizado com o uso de recursos financeiros advindos de impostos, das mais variadas ordens e deve permitir que as gerações seguintes pudessem se beneficiar da escola que eles tinham hoje.

Verbalizaram que era preciso também que os projetos arquitetônicos e os recursos materiais utilizados na construção ou adequação dos espaços da Escola sejam feitos com responsabilidade, com visão da vida escolar, usando material adequado, de durabilidade, não apenas pelo custo, mas pela responsabilidade cívica de que, mesmo o cobertor curso financeiro do município ou das mantenedoras, pudesse cobrir a maioria, sem necessidades de novos investimentos.

O destaque realizado por alguns jovens evidenciou que, diante das dificuldades enfrentadas na pandemia por muitos, certamente ocasionou dois anos de escolaridade perdidos, considerando que quase todos os envolvidos, não dominarem a tecnologia disponível na época, nem terem estruturas e equipamentos adequados, para todos.

Outros grupos identificaram falta de cultura básica de uso do computador dos seus pares e professores. Propuseram-se a viabilizar esta formação, dispondo-se exercer docência, ou pela realização de parcerias com entidades possuidoras desta competência.

Igualmente, os grupos abordaram a necessidade de preparo dos professores para as novas disciplinas das Diretrizes Curriculares da Educação Básica. Expressaram o desejo que os docentes tivessem, junto às Instituições de Ensino Superior, uma nova preparação mais enriquecedora, do que a adquiridas em um ou dois dias de treinamento.

Como o desejo de ingresso na Universidade era para eles uma prioridade e uma expectativas, nela estavam todas as expectativas de um ambiente apropriado para apreender a ser, portanto seria o melhor espaço para a atualização de seus professores. As aulas precisavam ser mais atrativas, os assuntos os mais atualizados, as dinâmicas mais convidativas para a vivência.

Outro projeto referiu-se à necessidade de recuperação e manutenção dos sanitários, masculinos e femininos, pela falta de reserva (portas sem fechaduras), higiene (vasos sem assentos) e muito velhos, paredes requerendo manutenção. Novamente o problema foi selecionado, pois beneficiaria não apenas a atual comunidade estudantil, mas as próximas. 

A Banca Examinadora foi composta por especialistas em Educação, Empreendedorismo e Inovação, exercendo cargos e funções diferenciados. Integraram a banca:

Raquel Teixeira, Secretária Estadual de Educação do RS;

Sonia Maria Oliveira da Rosa, Secretária de Educação de Porto Alegre;

Luiz Carlos Pinto, Secretário de Inovação de Porto Alegre;

Jorge Imperatore, Diretor de Inovação e Projetos Estratégicos da Secretaria de Trabalho, Emprego e Renda do Governo do Estado;

Vinicius Severo, Diretor da Atitus Educação;

Luciane Campana, do GetEdu - Google for Education;

Eduardo Gross e eu, como Especialistas do Instituto.

Seus integrantes souberam entender o nervosismo natural dos jovens e reconheceram a consistência da justificativa e dos benefícios do que estava sendo apresentado. Os jovens souberam responderam aos questionamentos com segurança, pois eles tinham construído a proposta, sabiam o que estavam apresentando e acataram com humildade e reconhecimento as ricas sugestões de melhoria recebidas. Retornando a seus lugares, após a exposição, anotaram discretamente as sugestões recebidas.

Ao término da tarde, cada integrante, de cada um dos seis grupos, recebeu o Certificado de Participação na Maratona de um dos integrantes da Banca, o que os deixou de peito estofado, olhos brilhantes e sorriso de tarefa bem cumprida. A classificação dos grupos não foi oficializada, por se julgar, inclusive pela Banca, que o que estava valendo não era a classificação, mas sim o trabalho realizado e os resultados obtidos.

Considerou-se que a Maratona, em sua primeira fase estava conclusa, mas o alcance das metas iria se concretizar em uma segunda fase. Por isso, a partir de outubro, o Instituto dará sequência às propostas apresentadas, atuando diretamente junto aos propositores nos respectivos espaços que frequentam, com seu time de mentores, visando a efetiva implementação dos projetos.

Nesta nova etapa, de revisão das propostas, visando seu fechamento e execução, os jovens serão estimulados e orientados na consolidação das competências em construção na primeira etapa, como:

Pensamento crítico: Atitude de desafio para identificar oportunidades de geração de valor para a sociedade.

Flexibilidade Cognitiva: Capacidade de adaptação do cérebro às situações em constante transformação para resolução de problemas complexos, capacidade de julgamento e tomada de decisões em diferentes estágios da vida.

Execução Inovadora: Mais FOCO na execução do que na ideação e capacidade de negociação para atingir os objetivos propostos.

Conhecimento do Comportamento Humano: Liderança, Inteligência Emocional, Gestão de Pessoas e trabalho em equipe.

Criatividade: Do latim creatus. Inventividade, engenhosidade, saber sair do quadrado

Em grande parte, as tarefas do desafio podem ser facilitadas, desde que atendida a exigência fundamental: saber ouvir atentamente a linguagem de cada participante, desde a pré-escola. Ouvir não apenas o expresso pela linguagem oral, mas também pela corporal, emocional, e ao fazê-lo demonstrar que eles estão sendo apoiados com respeito de seu ritmo, suas potencialidades, seus receios, suas curiosidades, e sua autonomia respeitada.

Creio que, desde já, seja possível identificar que a maioria dos problemas identificados, requerendo solução, estavam voltados para os atuais e futuros escolares. Suas propostas básicas buscavam a permanência dos ingressantes até o fim, em melhores condições físicas e educacionais.

Seus olhares estavam voltados para os excluídos (portadores de deficiências) para que numericamente possam ter atendido o seu direito constitucional de Educação e, finalmente, a atualização e formação dos docentes das novas disciplinas das Diretrizes Escolares, para que os propósitos por elas estabelecidos se concretizem. Olhares de usuários, não passivos!

Realizar em pequena escala a proposta é viável, mas pouco produtiva diante das necessidades. Existem propostas de plataformas e estratégias de parcerias que viabilizam ao mesmo tempo atender 100, 500, 1000 alunos, usando a mesma metodologia proposta.

Outra razão que estimulou a dedicação do tempo na construção deste artigo não estava focada no relato da experiência em si, mas na possibilidade que reflexões estimuladoras pudessem permitir novas propostas viáveis, de solução de problemas que não se referissem apenas aos saberes previstos no PP da Escola.

Valorizam-se, no momento altas tecnologias, que em breve estarão obsoletas, enquanto Tecnologias Sociais, como a proposta conseguem, com maior agilidade e menores custos ser extensiva a todos. 

Nada contra as altas tecnologias. O questionamento que se faz é, em que medida seu uso, nos termos propostos atualmente, de fato poderá atingir a TODAS as crianças e TODOS os jovens dos rincões de nossa cidade, estado e país, sem fortes investimentos que os orçamentos atuais não sustem? Não se trata apenas de instalações, compras de equipamentos, mas permanentes manutenções e atualizações dos mesmos, e de seus usuários. Não nos esqueçamos que a maioria das Escolas existentes foram construídas nos antigos anos do século passado, em que os alunos não apresentavam necessidades especiais em grande evidência, as portas eram estreitas, a escada de acesso, por menores que fossem, era status da Escola. Hoje a realidade é outra e as soluções também precisam ser. 

Enquanto este processo de Educação Digital se desenvolve no ritmo de prioridade, paralelamente outros investimentos precisam ser efetivados, para cobrir as outras prioridades, a custos menores, provavelmente com resultados bem maiores, segurança, amplo acesso e permanência, satisfação pessoal e coletiva, autoestima elevada e, principalmente construção de uma educação cidadã que amplie a consciência de todos para seus deveres e direitos.

Termos vastamente utilizados em discursos inflamados: inclusão, parceria, colaboração, competências e habilidades podem se concretizar no uso de tecnologias alternativas. O propósito do ITD, ao apresentar a Maratona, está associado à prática do aprender a aprender, para que esses jovens a partir do desafio que seu iniciou com a primeira fase da Maratona, sigam a sua jornada de aprendizado contínuo ... entendendo que essa é uma habilidade que deverá ser aplicada para sempre em suas vidas, pois é suporte para assumirem novas competências, diante de desafios externos ou internos e cambiantes ao longo dos anos. Segundo o cientista Albert Einstein : A vida deve ser um crescimento e aprendizado constantes.

[3] Albert Einstein não teve uma vida fácil. Mau aluno na escola e considerado "inútil" pelos seus professores e pares, teve de lutar muito para provar as suas capacidades. Mas é a prova de que quando não desistimos, quando acreditamos no que defendemos, não há nada que nos derrube!

Autora: 
Rita Maria Silvia Carnevale, Me 
Diretora de Projetos Sociais e Educacionais do ITD

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