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SER ou NÃO SER Empreendedor?
04/01/2019

Ser ou não ser inovador? Considero a mesma questão, pois todo empreendedor de sucesso é um inovador. Ou não?

Ele pode empreender numa barraquinha de cachorro-quente, por exemplo. Mas só terá sucesso se inovar. Seja na fórmula do molho, na apresentação do produto, como divulgar ou no atendimento. Quem nunca foi naquele lugar "estranho" que ninguém se anima a entrar na cozinha, mas que o atendimento é sensacional?

Feita a primeira ressalva, quero abordar esse tema, baseados em dois momentos distintos da minha vida.

Aos 16 anos, surgiu a oportunidade de trabalhar nas férias escolares, para ganhar um dinheirinho, já que minha família não era rica e eu queria certas “coisas”, que ela não poderia me dar na época.

Consegui uma oportunidade de trabalhar num supermercado como empacotador na frente de caixa. É aquela pessoa que coloca os produtos nas sacolas para os clientes.

Eu tinha dois locais que poderia escolher. Um próximo de casa e outro mais longe. Eu escolhi o mais longe. Sabe porquê?

Porque o supermercado mais longe tinha estacionamento.

Eu pensei comigo: se quero ganhar uma grana extra, no supermercado mais longe, terei a oportunidade de levar as compras até o carro do cliente (sim, se fazia isso há 30/40 anos) e assim ganhar uma gorjeta legal. Minha escolha dobrou meus rendimentos, pois ao contrário da maioria dos funcionários daquela loja, eu fazia sempre questão de levar as sacolas nos carros dos clientes no estacionamento.

Procurava inclusive, aqueles clientes de mais idade ou que tinham enchido o carrinho. O famoso "rancho", que hoje quase não existe mais.

Isso é empreender?

Com certeza sim, apesar de que, na época, não tinha ideia do que isso representava. Era apenas uma percepção de um garoto de 16 anos, que descobriu uma forma de ganhar mais, trabalhando o mesmo tempo dos demais.

Claro que alguém vai dizer "que eu era funcionário. Como assim um empregado empreender?" Pra você que pensou isso, sugiro continuar a leitura...

Eu soube otimizar o período e, antes que muitos pensem que “perdi” o tempo das férias trabalhando, posso afirmar que foram as férias que mais me diverti, pois tinha dinheiro pra isso.


"Hoje tenho consciência que foi uma atitude empreendedora e, porque não, inovadora na forma de ganhar meu próprio dinheiro. Eu soube prestar atenção nas opções que o mercado me oferecia e entendi como ganhar mais no mesmo tempo de trabalho".


O 2º momento aconteceu há dois anos, ou seja, meio século depois.

Numa seleção para contratar uma pessoa para minha agência, me deparei com três currículos muito semelhantes, na experiência e nas demais informações.

Eu gosto sempre de participar da entrevista, pois entendo que se analisa o currículo, mas se contrata a pessoa. Nada melhor do que olho no olho, para identificar traços da personalidade de quem, vai passar boa parte dos seus dias, lado a lado com você.

E na entrevista, além daquelas perguntas de praxe, questionei os candidatos sobre onde gostariam de estar daqui a 2/3 anos. Dois candidatos disseram que gostariam de crescer na empresa, fazer carreira. Enfim, um discurso comum e “vendedor” de si próprio. Como quem diz: "vou agradar o meu futuro chefe com esse blá, blá, de vestir a camisa"... :((

O terceiro candidato me respondeu dizendo que queria muito trabalhar comigo, pois sabia do conceito que a agência tinha no mercado de investir na formação mão de obra qualificada e como ela queria, no futuro, ser dona da sua própria agência, entendia que era uma ótima oportunidade.

Ou seja, ela utilizaria o tempo para desenvolver o trabalho que tinha sido contratada, mas que iria aprender aquilo que era seu objetivo: montar seu próprio negócio, sendo remunerada pra isso.

Não são dois momentos idênticos?

Cada um, a seu modo, pensando em como utilizar melhor seu tempo, para ganhar dinheiro e atingir seus objetivos.

O meu, lá atrás, jovem com 16 anos, queria ganhar o dobro do salário no mesmo tempo de trabalho. O outro momento, de um candidato à vaga de emprego precisando trabalhar para se sustentar, mas que ao mesmo tempo, esse emprego o ajudasse a atingir seu objetivo maior.

Bom, do candidato, posso dizer que foi o escolhido, exatamente pelo seu objetivo, pois o que quero na minha empresa são pessoas que “pensem” como dono.

Tenho um time hoje de pessoas fantásticas trabalhando na minha agência, que podem trabalhar em Home Office, sem necessidade nenhuma de supervisão, pois todos sabem das responsabilidades. Todos foram incentivados desde o primeiro dia, a pensar como donos.

Já o candidato que escolhi, rapidamente se mostrou completamente diferente do discurso da entrevista. Não pensava e, pior, não agia como dono. E menos de três meses, foi dispensado.

A lição que fica?
Não só pense como dono, mas exercite sua mente a agir como tal. Eu fiz isso há 50 anos. E na minha juventude, não tinha ideia do que isso representava. Passados meio século, percebi o quanto fui empreendedor.

Como dizia um capitão, na época que servi, ele não passou a ser capitão no dia da promoção. Ele sempre pensou e agiu como tal. A promoção só serviu pra o público externo entender quem ele era, de verdade.

Espero que esses dois momentos, sirvam de inspiração a você.

Numa época do ano, onde muitos revisam suas metas e objetivos, talvez seja o momento ideal de você preparar seu "crachá mental" com o cargo/atividade que você é de verdade e não com a função que você exerce no momento.


"Você é visto pelo mercado, não pelo que pensa, mas sim pelo que faz".


E você? Compartilhe o que está fazendo para multiplicar seu tempo.

AUTOR: Paulo Kendzerski

Presidente do Instituto da Transformação digital
30 anos de atuação no ambiente corporativo,
Consultor em mais de 500 projetos de Inovação,
Diretor Presidente da agência WBI on life, desde 2000,
Autor do livro “Web Marketing e Comunicação Digital”,
Coautor do livro "Impressão Digital. A tecnologia a serviço da Comunicação“,
Coautor do livro “Gigante de Vendas”.

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