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Transformação Digital de verdade. Conheça o case da Magazine Luiza
01/04/2020

Nota do editor:
Num momento que todos estão paralisados, tentando encontrar maneiras de sobreviver, não só ao COVID-19, mas nas suas organizações, sempre é bom trazer a público, exemplos de quem está fazendo sua lição de casa de forma eficiente.

Vimos muitas empresas de "vanguarda, dita inovadoras e disruptivas, mas que na hora da verdade, e essa hora chegou, não se sustentaram nos seus discursos e posts nas redes sociais.

A Magazine Luiza tem sido apontado como o grande case de Transformação Digital no Brasil. não no discurso, mas na prática. Por este motivo, trazemos hoje, mas um capítulo dessa transformação, a partir da entrevista do seu presidente, Frederico Trajano para o jornal Folha de São Paulo.

Fomos os primeiros a fechar e não deveremos ser os primeiros a reabrir, diz presidente do Magazine Luiza".
 

Um surto de Pandemia fez o Magazine Luiza antecipar um Projeto que estava em gestão e vai Incluir milhões de vendedores, Pessoas físicas ou Pequenos Varejistas locais em seu canal de vendas, afirma Frederico Trajano, presidente do grupo.
 

Chamado de Parceiro Magalu, o programa abrange pessoas físicas e jurídicas.

 

"Muitas empresas têm uma caixa curta e não conseguem segurar a maturidade digital, e esse é um dos motivos de estarmos lançando nesta semana, antes do previsto, a pequenos varejistas", diz Trajano.

 

O empresário também diz que uma empresa tem caixa e pode suportar os efeitos de confinamento, realidade diferente da maior parte do varejo. "Se houver um decreto que pemita uma reabertura comercial agora, o Magazine Luiza não seria um dos primeiros a reabrir como lojas", segundo ele.
 

“Nossa posição hoje é aguardar até garantir que protocolos de segurança e saúde dos trabalhadores e clientes estejam aderentes e estejamos confortáveis com eles", afirma.
 

Nestas primeiras semanas de quarentena, o que fazer para calcular o impacto das vendas? Como é a operação de voces? 
 

O que aconteceu, pragmaticamente, é o que fechamos 1.100 lojas. Mais ou menos 50% do nosso faturamento vem da loja física. Dei férias a todos os funcionários dessas lojas, são cerca de 20 mil pessoas de férias.
 

Fechamos antes dos decretos governamentais. Fizemos uma série de concessões a funcionários, antecipamos tiquetes, dobramos os cheques para as mães e, antes de o governo lança medidas para ajudar as empresas, principalmente em relação à manutenção de empregos, que devem sair, antecipamos as férias.
 

Continuamos operando com 50% do nosso faturamento, que é comércio eletrônico. 

 

A gente acredita que parte desse faturamento das lojas físicas vai migrar para o online. É um fenômeno que acontece nos países que já estão sendo bloqueados [bloqueio de emergência que restringe o tráfego de pessoas], uma digitalização acelerada exponencialmente.

 

Mesmo em países muito digitais, como a China, uma penetração on-line aumentou no período de confinamento. Acreditar que o online vai crescer e absorver isso.
 

Tem alguma projeção feita sobre essa migração? 
 

Não tenho e não posso falar, o fato relevante deixa isso claro. Não sabemos quanto tempo vão ficar fechadas, qual será o fluxo de pessoas quando as lojas reabrirem. Em alguns mercados em que o varejo retornou, o fluxo foi menor. As pessoas ficam receosas de ir para a rua. É difícil projetar, nem com bola de cristal.
 

Quanto tempo uma empresa de tamanho de voz consegue sem corte de funções? 

Estamos numa posição muito privilegiada. Nenhuma varejista tem 50% de faturamento online como a gente. Além de tudo, nossas 1.100 lojas funcionam como mini-hub de distribuição. Então, ela também entrega rápido para o online.
 

Também temos condições, ferramentas que desenvolvemos, de vender mesmo com uma loja fechada. Nossos vendedores têm telefone celular e estamos habilitando para que possam vender até de casa, sem precisar ir para uma loja trabalhar.
 

Entendo que temos um GRAU DE MATURIDADE DIGITAL que faz com que alguém consiga segurar por muito tempo.
 

Como cidadão, brasileiro, membro do IDV - Instituto de Desenvolvimento do Varejo, fico muito sensibilizado, porque muitas empresas têm uma caixa curta e não conseguem obter ou não tem maturidade digital, e esse é um dos motivos de estarmos lançando uma medida nesta semana, antes do previsto, a pequenos varejistas.


O que vocês irão lançar?


Na carta aos acionistas do fim do ano, deixamos claro o que o nosso propósito é incluir digitalmente a maior parte da população brasileira, fazer com que aprendam e consigam comprar, e também pequenos e médios varejistas.


A gente digitalizou o Magazine Luiza e agora está caminhando para um ciclo de estratégia de digitalizar o varejo brasileiro. Sair de ser uma empresa que vende só seu produto para ser um ecossistema digital nos moldes dos grandes marketplace mundiais, como Alibaba, Amazon, mas estamos até mais voltados para trazer esse pequeno varejista para nossa plataforma.


Estamos lançando o que a gente chama o Parceiro Magalu, que nada mais é uma plataforma que permite varejistas físicos, pequenos e médios, venderem produtos mesmo com lojas fechadas.


E como vai funcionar? 


Eles podem subir o catálogo dentro do ecossistema digital de Magalu e vender tanto para os clientes da Magazine Luiza, que são mais de 20 milhões, como para os próprios clientes deles, usando ferramentas que desenvolvemos para a nossa loja física.


Pode vender isso sem abrir uma loja, sem colocar em risco os seus funcionários e clientes, fazendo tudo remoto, digital. Nesse momento, esse tipo de ferramenta é quase uma utilidade pública para pequenos varejistas em situação delicada.


Voce pretendiam fazer esse lançamento e anteciparam por causa do corona vírus? 


Exato, Fizemos 50 semanas em cinco dias, meio lema JK. 


Apesar de estar com 100% da equipe de escritório em home office, a gente conseguiu em menos de cinco dias colocar tudo o que estava faltando para poder soltar essa plataforma no ar. Tem modalidade para pessoa física e para pessoa jurídica. A pessoa física autônoma consegue vender sem sair de casa e ganhar dinheiro.


Acho que conseguimos não só dar o peixe, temos feito nosso papel em doações [a empresa doou o valor de R $ 10 milhões para combater o vírus], mas também dados como condições para que possam pescar.


Quantas pessoas físicas e jurídicas querem incluir nessa plataforma? 


Para pessoas físicas, já tínhamos uma operação que era o Magazine Você. Tinha 200 mil pessoas que vendiam todos os meses por essa plataforma. Vamos chegar a mais de 1 milhão, muito mais, milhões de pessoas que são autônomos e não podem sair de casa.


Isso porque é muito fácil e exige investimento inicial. Em relação aos varejistas, estamos falando de 5 milhões de empresas brasileiras que são CNPJ e mais de 50 mil vendem online. A grande maioria analógica. Estão com as portas fechadas. Estamos acelerando tanto que não estamos nem no plano de negócios formado para isso. É possível que haja alguns problemas técnicos recentes devido à rapidez.


Entendo que  é uma ajuda aos pequenos, mas, do ponto de vista estratégico à companhia, qual o retorno?


Queremos sair do modo VAREJISTA multicanal especializado em uma categoria para ser um Ecossistema Digital que vende múltiplas categorias de diversos varejistas . Isso estava na nossa estratégia: não vender só o produto que tiver dentro de casa, mas o produto de terceiros, e ajudá-los a conseguir vender, entregar e receber o pagamento.


A vantagem de colocar muita gente na plataforma é que consegue ganhar escala muito rápida. Se for ampliar a escala pela abertura de lojas, só cresce com estoque próprio e um CNPJ, que é o da Magalu, é muito mais difícil do que crescer com milhões e milhões de CNPJs. Nos primeiros meses, faremos isso de maneira subsidiada, não queremos ganhar dinheiro com uma crise.


Como as pessoas físicas serão comissionadas? 


No modelo pessoa física, eu pago uma comissão para ele vender produtos no Magalu como pago para o Google. Por exemplo, para o Google, eu pago comissões através de publicidade [propaganda] para qualquer pessoa vender meu produto.


Na verdade, funciona com uma mídia para mim. Mais ou menos o que eu pago para o Google eu pago para o Parceiro Magalu Pessoa Física [as pessoas vão poder divulgar links em suas redes sociais que levarão clientes a uma loja personalizada no site da empresa]. O Parceiro abre uma alternativa, que não é Google e Facebook.


E como funciona para as empresas? 


Ele me paga uma comissão por vender para meus 20 milhões de clientes. Aí cobramos comissão de 3,99% que é uma comissão totalmente subsidiada, porque se pensar bem estamos dando adquirência para ele, toda a venda.


Não estamos ganhando dinheiro no curto prazo com isso. Tem, sim, propósito estratégico, não é caridade, tem contexto de longo prazo, mas nesse momento é totalmente subsidiado, não tem profit from tragedy [lucro pela tragédia]. Depois desses meses, é provado que a comissão suba.


Vocês estão em todas as regiões. A demanda de comércio eletrônico tem enfrentado pontos de estrangulamento logístico?


O que teve foi muito pontual na primeira semana, em que os governos decretaram quarentenas de maneira muito abrupta. Sinto que as coisas estão normalizando em relação ao transporte de carga, no abastecimento, o próprio governo federal emitiu uma normatização nesse sentido.


Não estamos com problemas de abastecimento, temos 19 CDs [centros de distribuição] e lojas que funcionam como miniCDs ou que podem funcionar. 


Agora estão todas fechadas, mas os CDs funcionam normalmente, nossa frota de empresas trabalha normalmente com todas as medidas de segurança, com higienização de hospitais nos centros, mediação de temperatura nos transportadores, são padrões extremamente rígidos para garantir saúde da nossa equipe e dos clientes.


Qual é a sua posição sobre confinamento? 


Eu prefiro falar pelas ações da própria companhia. A gente fechou as lojas antes dos decretos em todas as cidades. Fizemos todo esse desenvolvimento para permitir que lojistas e autônomos consigam vender sem sair de casa. Estamos trabalhando duramente para conseguir produzir respeitando o confinamento. Acredito muito que a digitalização seja uma chave para compatibilizar o confinamento com o mínimo de desenvolvimento econômico.


Se houvesse um decreto permitindo a abertura das Lojas, vocês aguardariam mais um tempo?


Sim. Nossa posição hoje é aguardar e garantir que protocolos de segurança saúda de trabalhadores e clientes aderentes e estimados comodamente.


Temos uma equipe de big data no Magalu que acompanha uma situação cidade a cidade. Temos informações e um possível mapa de risco para ver onde há segurança de abrir e onde não existe. Não temos pressa. Estamos respeitando o bloqueio. Mais uma vez, fomos os primeiros a fechar e não deveremos ser os primeiros a reabrir.

 

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